TORNA-TE QUEM TU ÉS!

Dicoteísmo.

Existem muitas pessoas que costumam defender que não há relação entre deuses e religião. Elas dicotomizam divindades de cultos. Essa prática as livra de certas incongruências religiosas, porém as mantêm ainda presas á raiz de toda crença metafísica, que é a desesperada necessidade humana de mascarar a vida com interpretações ilusórias da realidade.
Separar religiões de deuses, ou de um deus, apenas excluindo a liturgia, só faz disfarçar a influencia cultural, que sempre estará presente no pensamento humano.

Já ouvi pessoas dizerem que sua religião é deus, numa tentativa de diferenciar suas crenças particulares de manifestações religiosas tradicionais. Isso é contraditório, pois foram às próprias religiões que criaram deuses, ou pelo menos, deram uma roupagem mais objetiva de atributos aos deuses já existentes e que ainda estavam desorganizadamente esboçados na mente humana.



Por puro desconhecimento, a interpretação mística de fenômenos naturais gerou no ser humano a idéia de um deus, (ou vários) com o tempo o culto a essas divindades foi regrado, gerando assim práticas sistemáticas e organizadas que no futuro desembocaria nas religiões institucionalizadas. Se separarmos deuses de religiões estaremos afirmando que um nada tem a ver com o outro, isso em si é apenas uma tentativa infantil de apartar o “santo” do profano.

Partamos da idéia de um deus único sem ligação com religiões e que exista previamente, antes da criação de qualquer culto organizado. Chamo esse tipo de pensamento de dicoteísta que é a separação de deus de toda e qualquer religião. Os dicoteístas acham que a partir de um mau entendimento, a mensagem que esse deus trouxe aos diversos povos do mundo foi convertida nas varias religiões existentes, cujas praticas são ligadas a cultura dos povos em questão. Associar a mensagem de um deus a práticas humanas seria empobrecer e nodoar seu real significado.



É uma idéia até certo ponto simpática, porém isso nos remete a dois grandes problemas:
O primeiro seria a do questionamento da onisciência divina, ora, se deus é onisciente por que traria sua mensagem a povos que definitivamente não teriam a evolução necessária para entende-la? Deus não saberia previamente que tamanha variedade de interpretações geraria guerras genocidas?
O segundo ponto é o do erro primário dos próprios dicoteistas na raiz de sua crença, eles cometem a mesma falha das religiões instituídas em crer que sua interpretação de um deus é a correta e livre de erros. Acham que as demais interpretações estão erradas por estarem ligadas a culturas. Acham que o seu deus é o único, melhor entendido e verdadeiro. É o deus puro, livre da cegueira da equivocada tradução humana.

Os dicoteístas se diferenciam dos deístas pelo fato de acharem que deus é realmente uma divindade e não uma força inteligente da natureza, sem forma e sem sexo. Os dicoteístas são teístas, mas não seguem uma religião apesar de influenciados pelo monoteísmo cristão. Os deístas não são teístas clássicos nem têm religião, mas crêem numa energia cósmica criadora. Ambos crêem pela fé. O deísta não tem provas da existência dessa força cósmica e tenta explicar o improvável através do existente, enquanto que o dicoteísta basicamente é um criacionista preso às ilusões de um monoteísmo estilizado.