TORNA-TE QUEM TU ÉS!

Se você não crê em deus, de onde vem então seu senso de moralidade?



Já ouvi com freqüência essa pergunta, e sempre me questiono de onde tiraram a lógica para elaborá-la. O senso de moralidade do deus bíblico é questionável (o dos outros também). Existem varias passagens neste livro cuja intensidade da violência desse ser nos faz duvidar profundamente não só de suas boas intenções ou maturidade, mas também de sua sanidade. Deuses não inventaram a ética, eles próprios foram inventados para difundir um pensamento ético de época.

O senso da moralidade humana vem do mesmo lugar de onde vem o dos deuses, vem das culturas primitivas que necessitavam criar leis para o convívio social. Criando um deus moralista, eles buscavam refrear a violência das populações e acalmar seus instintos, bem como perpetuar o poder de alguns.



Vejamos o caso de Moises, que evidentemente é mítico. Para impor suas idéias, ele se isolou e depois voltou com “ordenamentos divinos” se dizendo o escolhido. Por que esse deus simplesmente não apareceu no céu e ditou calmamente seus desígnios para todo o povo? Então deuses precisam de escolhidos? Como acreditar num homem que diz que falou com um deus, que é seu escolhido e que todos devem segui-lo sem questionar? Moises levou uma moralidade religiosa específica para o seu povo. O separou do povo egípcio de uma maneira não só física, mas ideológica. Os egípcios eram muito promíscuos, e o povo judeu havia adquirido hábitos alheios a sua cultura, as relações homossexuais eram normais.

Moises separando os judeus dos egípcios proibiu esse tipo de relação, atribuindo essa ordem a um deus, e a partir daí surgiu o preconceito que vemos hoje em dia. Sua fundamentação é pura e simplesmente religiosa e vem de uma moralidade machista de época. O mesmo se aplica as mulheres. Dizer que o homem é superior as mulheres e que elas devem servi-lo é clássico de sociedades machistas com deuses antropomorfos e masculinizados.



Deuses moralistas representam o superego, a censura, são um freio para o egoísmo das vontades. Nenhuma moralidade veio de deuses, a ética vem do próprio ser humano, assim como a invenção daqueles que seriam seus guardiães, os deuses.
O equivocado senso comum perpetua a idéia dogmática de que um deus bondoso e preocupado com a sua criação teria finalmente feito contato com a humanidade através de um escolhido, podendo assim, transmitir suas leis, ordenamentos, vontades, conselhos, etc. Essas narrativas evidentemente são lendas. Invertamos o raciocínio, imagine que alguns homens de aguçado senso moral e ético, ou sede de poder, viviam numa época selvagem, e por esse fato, não tinham como impor suas idéias a população, a partir daí criaram uma entidade mística que poderia facilitar a transmissão dessa moral. Assim as pessoas passariam a seguir regras de conduta que melhoraria o convívio social.



Alguns veriam nessa idéia um grande filão para o lucro fácil e o controle de multidões. Hoje em dia, a moral deturpada demonstra que deuses nada mais são que um bom motivo para pastores enriquecerem e padres bolinarem crianças. Deuses fazem seres humanos se matarem, explodirem bombas, degolarem pessoas e extirparem o clitóris de meninas, dentre outras selvagerias.

O senso de moralidade do ser humano claramente foi se desenvolvendo gradativamente com o passar dos séculos. Até hoje em dia continua assim. O ser humano percebeu naturalmente que deveria haver um contrato social que possibilitasse uma harmonia no convívio. Ele percebeu que poderia criar regras que estabeleceria sua segurança física e patrimonial e que a reciprocidade desse acordo organizaria a sociedade. Não foi necessário um deus castrador aparecer do nada para colocar cabresto na selvageria humana.



Eu sempre achei intrigante o critério que o ser humano usa para afirmar que o deus dele existe, mas o deus do outro não.
Como uma pessoa em pleno uso do seu cérebro pode afirmar que Mickey existe, mas que Zé Colméia é uma lenda de povos primitivos?


Stalin, Mao tse-tung e Pol Pot eram loucos megalomaníacos e reprimiram a religião porque ela ficou no caminho dos seus regimes ditatoriais, eles não seguiam cartilhas anti religião. Eles atacaram a religião pela política, porém a religião ataca a si mesmo por sua própria ideologia. A religião não só segue uma cartilha anti ateísmo, como também um pensamento centralizador e dogmático que faz com que ela persiga até outras religiões, veja o caso dos xiitas e sunitas, protestantes e católicos, judeus e muçulmanos, etc.
Até especificamente dentro do próprio catolicismo houve perseguições a quem não aceitava a doutrina oficial estabelecida por Roma. Foram as chamadas disputas cristológicas. Qualquer um que não acate as diretrizes oficiais da igreja, é imoral, é inimigo e merece o fogo eterno. Regimes políticos são deturpados por homens, mas homens são deturpados por religiões.
Fé é crença sem evidência. Se houvesse evidencia não seria fé, seria aquisição de conhecimento através de fatos comprovados. Fé é uma coisa, fato e outra. A lógica não leva ninguém a crer num deus, pelo contrario. Só se pode crer em deuses pela fé. Se a pessoa usar o pensamento racional, verá que não há lógica na existência de deuses. Pelo menos os tradicionais.


A evolução é um fato observável, não é um delírio ideológico. Ainda existem lacunas, claro, mas serão preenchidas no devido tempo, a base já se tem e não é fraca. Já a única base para a existência de deuses é a psicológica e cultural fruto da natural necessidade humana de buscar divindades para não assumir a responsabilidade de sua própria existência. Não poder afirmar uma coisa não quer dizer que seu oposto seja verdadeiro, ou seja, não poder ter 100% da evolução explicada não quer dizer que a humanidade surgiu de um estalo de dedos de um hippie místico.



É fácil provar que determinado deus não existe, basta ver as contradições que o cercam. Se um deus é realmente um deus ele deve ser perfeito, ele não se contradiz como o deus bíblico faz freqüentemente. Nem entregaria a sua palavra a pessoas que não entenderiam absolutamente nada. Imagine eu entregando a chave do meu carro a uma pessoa de nove anos e depois dizendo que ela se acidentou por causa do livre arbítrio. O que o ateu não sabe, ele admite e busca respostas, o teista não, ele é arrogante e afirma que quando não se tem respostas...pronto...foi um deus (o dele).
Impossível não comentar o pronunciamento da ilustríssima deputada Miriam Rios. Mais uma vez a religião mistura-se com a política e comprova o que a história nos mostra freqüentemente. Ignorância exposta em frases preconceituosas embasadas numa completa e absoluta falta de conhecimento de causa. Inacreditável que uma pessoa possa falar o que ela falou e não ser presa. Expor um preconceito bárbaro disfarçado de liberdade de expressão é deturpar a lei. Não se pode argumentar com religiosos, pois eles vivem num mundo diferente, cheio de anjinhos, de santinhos e deuses cruéis e vingativos. Vivem no mundo do senhor dos anéis. Miriam Rios provou que a religião não é só o ópio do povo, mas tb a cachaça do acéfalo. Ela precisava fazer alguma coisa para sair do ostracismo global, e ao invés de encabeçar uma causa nobre e humanitária, preferiu levantar a bandeira do nazismo. Quem ela ira perseguir alem dos homossexuais? Os judeus? Os negros? Ela fala que a pessoa “escolheu” ser homossexual. Que falta de informação! Como uma pessoa pode escolher ser homossexual? Ela escolheu ser hétero? Não. O Brasil teima em andar sempre para trás. É inaceitável que no século XXI, pessoas que moram no reino de Alice, detenham poder e possam votar leis. Chega de fantasia. Chega de tolerância com os intolerantes. Se as religiões não respeitam a liberdade do individuo então ela não tem que ser respeitada. A religião atrasa a humanidade, violenta a lógica e cospe no bom senso.