TORNA-TE QUEM TU ÉS!

Se pelo menos o espiritismo não fosse cristão isso o ajudaria mais. Se ele fosse só teísta (aos moldes do deísmo) creio que sua força em convencer os céticos seria mais acentuada. Uma filosofia espiritualista que enaltece um ser humano cujo registro histórico é inexistente deixa-nos cheio de dúvidas.


Se uma mente cósmica, uma inteligência universal realmente existir, creio que esse “ser” não tem religião, visto que as religiões são tão repletas de contradições que esse fato por si só já destrói toda e qualquer suposta perfeição do ser que elas adoram. Se as religiões são dogmáticas e o dogma é uma “verdade” indiscutível por ser embasada em fé, sendo a fé crença sem evidencia, então tais dogmas são visceralmente falaciosos.

Nosso conhecimento é sim limitado, e por isso não podemos nos dar ao ignorante luxo de criarmos divindades para todos os gostos no intuito de limitar mais ainda nosso cérebro com mentiras que fatalmente estacionarão nosso intelecto. Os cientistas sabem que o conhecimento humano precisa se desenvolver, por isso não são só os primeiros a buscar respostas, mas também partem na frente quando a questão é afirmar que não têm todas elas. O que fazem então, encaixam o misticismo na falta de respostas? Não.



Os religiosos quando não tem respostas usam um deus para tapar o buraco. “Se não tem explicação, pronto! Foi um deus”. É o chamado argumento do deus das lacunas.

Aquele que verdadeiramente questiona e raciocina, não faz isso.

É possível que exista uma “inteligência universal” incompreensível? Pode ser, apesar de parecer improvável (pelo menos nos moldes tradicionais) Mas o que isso muda? Nada.

Se essa “mente universal” interfere no nosso cotidiano (como muitas religiões afirmam) é porque ela precisou mudar algo que não lhe agradou. Sendo assim ela se contrapôs a um comportamento, ou fato, para mudá-lo. Se ela precisou mudar algo é porque não sabia que aquilo aconteceria, pois se soubesse nem deixaria ocorrer para que tivesse que mudar depois. (correr atrás do prejuízo). Se esse for o modus operandi dela, então ela não pode ser classificada como “mente superior”.

Ao passo que, se essa “mente cósmica” não interfere em nada, deixa-nos exercer nosso suposto livre arbítrio, então qual a importância de sua existência para nós?

Um ser inteligente que habite o desconhecimento humano é no mínimo um ser preguiçoso adepto da auto-humilhação, pois podendo mostrar-se claramente prefere habitar nas sombras da dúvida. Seria um ser que entregou a humanidade ao “deus dará” (não resisti).


A evolução nada mais é que a ação da natureza no corpo humano com a intenção de adaptá-lo ao que está fora dele.

E por que a natureza quer a adaptação do corpo do ser humano às intempéries do clima e as peculiaridades do meio?
Para que ele sobreviva na intenção de procriar e eternizar a raça.

Não podemos associar a evolução a um criador, pois sendo assim não haveria o que a caracteriza (tempo, tentativas, fracassos, adaptação, etc.), mas sim, “produto imediatamente finalizado”.

A suposta perfeição de um criador absolutamente sem erros seria o suficiente para criar um ser finalizado, sem que fosse preciso evolução.

Se o ser humano vem de um passado de adaptações gradativas ao meio, isso por si caracteriza a ação da natureza e não de um deus perfeito. A perfeição cria imediatamente, pois sendo perfeita não necessita de tentativas.

O corpo humano permanece com seus erros, até que com o tempo, evolua mais ainda para que não seja tão sensível a doenças.
Se o corpo humano fosse um produto de uma mente inteligente, ele não estaria sujeito a males que afligissem sua saúde.

Se eu crio uma maquina defeituosa, eu também sou defeituoso.

Então, das duas uma: Ou foi um deus que criou o ser humano (mas se assim fosse ele não seria perfeito, já que o ser humano não é) ou foi simplesmente a natureza que desenvolveu os seres (como vem fazendo até hoje) no intuito de harmonizá-lo com o seu meio para que ele sobreviva.


Citando Sartre, o ser humano sendo senhor do seu destino, teria uma grande responsabilidade, pois estaria sujeito ao fracasso pela fatalidade de suas próprias decisões equivocadas. Percebendo isso, ele criou em seu cérebro complexo uma figura que lhe tiraria tal culpa de ser o artífice de sua própria derrota: deus. Assim, ele pode dizer: “|Ahhh eu fracassei porque meu sucesso não foi a vontade de deus”. O existencialismo vai por esse caminho. Afirma que o homem está condenado a ser livre, e por ser livre ele não suporta essa carga, então por má-fé, cria a figura do pai celestial (que substitui seu pai natural) para servir como um amortecedor das culpas pelos seus fracassos.
O homem não nasce predisposto a ações, ele vai se construindo ao longo da vida. Sua existência antecederia sua essência. Pois a partir dela (a existência) é que ele construiria seu modo de ser (essência). Só os objetos inanimados teriam uma essência, como por exemplo, uma mesa, que é pensada antes de ser construída. Ela já teria uma finalidade previa. Não o ser humano.
Apesar de parecer meio contraditório, eu encaixaria as influências do meio, da educação e o genético, como determinante das escolhas humanas. O existencialismo prega o livre arbítrio, o determinismo não. Como então fazer essa junção? O ser humano é livre para decidir (como Sartre pregava) ou tem suas decisões já previamente “amarradas” por influencia do meio, genética e educacional? Onde ficaria o meio termo?



Crer no determinismo significa acreditar que seriamos quase robôs, que nosso comportamento e reações já estariam definidos antes mesmo de pensarmos neles. Ao passo que crer no livre arbítrio seria ter a certeza de que nossas decisões seriam única e exclusivamente nossas, porem isso acarretaria (como já falei) algumas contradições. Eu posso escolher matar alguém, mas e se a pessoa não quiser morrer (obviamente) ela não poderá decidir quanto a isso.
Partindo do pressuposto da existência de um deus, ele já sabia que eu iria matar a tal pessoal, ele não interferiu, mas sabia, então foi cúmplice por omissão. Se ele já sabia por que não fez nada? Porque teria deixado a decisão em minhas mãos. Ok, mas ele (repito) já sabia a decisão que eu tomaria não? Sim, claro, sendo um deus claro que saberia.
O livre arbítrio só seria então real se ele não soubesse, mas se ele não soubesse não seria deus. Logo, se a minha decisao já era conhecida, então havia uma predeterminação para meu ato, o que transformaria o livre arbítrio num determinismo.
Portanto, o livre arbítrio sartreano teria lógica por ser ateu e por entregar as decisões do ser humano a ele mesmo, ao passo que o livre arbítrio teísta seria contraditório, por aceitar ao mesmo tempo a existência de um livre arbítrio e de um ser onisciente.


Vamos por partes, (como Dexter gosta). Partindo do pressuposto que um deus (o de cada um) existe.
1. Dizer que uma regra religiosa é mal interpretada consiste em dizer que o deus que ditou aquela regra não o fez de forma correta. E isso por si só já descaracteriza a condição de perfeição que um deus deve ter. Se tais regras sagradas fossem meras sugestões divinas, então o ser humano poderia aceitar ou não. Ai sim existiria livre arbítrio. A pessoa poderia tomar sua decisão pensada sem se preocupar com punição, pois afinal, seria só uma sugestão.
2. Afirmar que regras ditadas por um deus deixam-se superar por particularidades culturais é sem duvida afirmar que o hábito humano e superior à leis divinas.
3. Se um deus houvesse criado o ser humano ele o faria perfeito e não precisaria de milhões de anos de evolução, pois isso só provaria a falta de perfeição do criador. Se eu vou criar algo, eu penso bastante antes para chegar ao máximo possível do “protótipo perfeito” se o desenvolvimento do homo-sapiens levou milhões de anos,( de tentativas e falhas ate chegarmos onde estamos hoje) isso destrói por si só a afirmação de que existiria um designer inteligente.
4. A homossexualidade é proibida nas religiões porque o que os religiosos querem são casais que se reproduzam para perpetuar o poder de suas ideologias primitivas e imbecilizantes. Não existem demônios, portanto a homossexualidade nada tem a ver com esse ser fictício criado apenas para amedrontar as pessoas no intuito de fazer com que elas busquem um suposto deus bom.
A fé não é o caminho para a verdade. Imagine que eu tenha três copos de vidro, cada um com uma cor diferente. Imagine também que eu peça para você me dar as costas para que eu possa quebrar um copo sem que você saiba qual é, com a intenção de que você adivinhe qual copo eu quebrei. Você só poderá usar sua fé para tentar adivinhar. Esse não seria o caminho mais lógico para se encontrar a verdade. Você encontraria a resposta se olhasse, se constatasse sem nenhuma duvida qual copo eu quebrei. Dessa maneira você teria evidências inquestionáveis, poderia se debruçar sobre o copo quebrado, tocar no vidro, comprovar sua cor, etc. Só dessa maneira você poderia chegar a verdade e não dando as costas às evidências para crer apenas pela fé. Só os ignorantes crêem pela fé. Porque fé não exige raciocínio.