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“ Darwinizando deus”

Imagine no universo que sempre existiu, há algumas centenas de decilhões de anos, num lugar escuro e imensuravelmente longe do nosso sistema solar, que um choque de asteróides criou uma fagulha em especial, e que de alguma maneira natural, porém desconhecida essa fagulha tenha iniciado uma microscópica vida indescritivelmente primitiva.
Com o passar dos bilhões de anos essa micro-vida foi “passeando” pelo universo e evoluindo
vagarosamente. Uma forma de vida não corpórea, de energia, amorfa e que gradativamente foi adquirindo rudimentos de percepção.
Alguns quadrilhões de anos depois os primeiros sinais de uma pré-racionalidade começariam e se tornar evidentes e pouco a pouco esse “microcosmo de potencialidades” sairia do oceano do seu primitivismo para se arrastar pelas areias de suas possibilidades.
Sua cognição elementar, porém existente se adaptaria ao meio intuitivamente visando a preservação enquanto sua tímida introspecção começaria a discernir.
Após alguns milhões de anos sua instintividade quadrúpede se tornaria consciência e se ergueria e o que antes era um ensaio de entendimento se converteria no nascimento de um inquestionável intelecto.
Chegando ao estado atual, após quase uma “eternidade” evolutiva, a complexidade de sua inteligência definitivamente não seria sequer tocada levemente por seres com apenas alguns milhões de anos.
Como tudo que nasce, morre. Seus séculos vindouros estariam contados, pois também estaria sujeito as leis da natureza. Como o sol que já foi jovem e hoje é adulto.
Morrerá solitário, num universo que permanecerá, até o aparecimento de uma outra consciência cósmica “quase” eterna.

Hipótese da posterioridade divina:

Só ha três possibilidades para a existência do universo, ou alguma forma de inteligência superior o gerou, ou ele nasceu sozinho (vindo do nada) ou sempre existiu.

Visto que nada vem do nada, então a segunda opção poderia ser descartada, nos restando duas. Uma mente superior o criou ou ele sempre existiu.

Para uma inteligência superior ter criado o universo, seria fundamental que ela fosse infinitamente mais complexa que ele.

Porém, se nada vem do nada, então essa mente superior precisaria também ter sido gerada para que existisse. (ou sempre ter existido.)

Entre o universo sempre ter existido e uma mente superior sempre ter existido, a resposta mais lógica seria que o universo sempre existiu e nunca foi criado.

A mente superior pode ter sido gerada naturalmente depois, mas não antes do universo, visto que ele sempre existiu.
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Portanto já que o deísmo se refere a uma inteligência não intervencionista, lida com ela como se ela fosse subordinada as leis naturais. Então ela teria nascido num universo já existente e naturalmente organizado.

As contradições do deísmo.

O deísmo defende que uma inteligência superior sem forma, sem sexo, sem religião, que não fala em pecado, nem castigo, nem revelação, nem inferno e que se expressaria através das leis da natureza, teria criado todo o universo. Deixando-o sujeito as leis dessa natureza, ou seja, não seria preciso nenhum tipo de intervencionismo, pois tudo estaria sujeito a leis chamadas "leis naturais".

Crer numa "mente" superior, mesmo desvinculando essa crença de dogmas religiosos primitivos, não seria por si só mais um dogma?

Seria o deísmo uma forma de pseudo-racionalização, por crer sem provas na existência de uma mente superior criadora de tudo?

A natureza existe, ok, ela engloba o que nos cerca, o oxigênio, o céu, as estrelas, as árvores, animais etc, etc, mas isso seria prova inquestionável da existência de uma mente superior?

Isso não seria defender a pseudo-ciência chamada design inteligente? Pois as árvores teriam sua função, como os animais, o oxigênio, os organismos complexos, a química dos alimentos, etc.

O deísmo não seria então fideísta, por utilizar a existência da natureza para justificar a presença de um deus que nunca se viu? Não ver e crer é crer sem evidência, logo é crer pela fé.
Como crer pela fé e classificar a crença como racional?

Uma finalidade para o universo seria teleologia (Aristóteles usa o termo Causa final), portanto dogmática.

Crer num criador e ser contra dogmas não é contraditório?
Dizer que um deus seria a causa do mundo não é defender um sofisma chamado Argumento Cosmológico?
O deísta defendendo ferrenhamente sua “fé” como racional, não estaria se igualando aos dogmáticos que acham que o que está na bíblia é real e comprovado por ser registro “histórico”?
Substituindo o argumento do “registro histórico” pela tese da “existência da natureza como fator comprobatório da existência de uma inteligência superior criadora” não estaríamos dizendo que se a natureza existe então é porque deus deve existir? Isso corresponderia a dizer que se o pato Donald não existe então deus não deve existir. O que nos remeteria a seguinte questão: Não poder provar que algo não existe, não implica obrigatoriamente que deva existir. E não poderíamos inverter esse argumento, pois o ônus da prova pertence a quem faz a afirmação positiva.
Portanto, afirmar que a prova incontestável da existência de um deus é o fato da natureza existir e ser organizada é dizer que se existe “o relógio, deve existir um relojoeiro” esse é um argumento dogmático, pois não há provas. Além disso seria defender o sofisma da Complexidade Irredutível.