TORNA-TE QUEM TU ÉS!


Saint-Exupéry revisto:
Aquele que tu cativas se torna
a pedra no sapato da tua responsabilidade.
A evolução intelectual não segue a evolução moral.
Basta-nos ver o caso dos "gênios" que através de cálculos complicadíssimos,
pesquisas dedicadas, mergulhos abissais em teorias, livros, discussões infindáveis,
noites sem dormir...criaram bombas. Pra que?!

O ser inteligente tem uma enorme obrigação moral,
a de levar o conhecimento e a evolução,
com o cuidado de não aprisionar mentes com suas idéias, mas libertá-las.

O ignorante pode aprender, pode buscar, pode se interessar.

O idiota é o que não sabe nada e acha que sabe tudo.
Estaciona por não ter inclinação a buscas que engrandeçam seu intelecto e sua evolução moral.
Existem muitos.
Gente que não quer aprender.
Gente que não lê.
Aprisionados a conceitos primitivos.
Pior quando esses detêm o poder. A história está recheada disso.
Não temo gente inteligente, tenho "medo" de gente sem caráter.
Não discrimino gente ignorante. Me afasto dos idiotas.

Tão nefando quanto tirar uma vida
ainda em sua alvorada durante a gestação
é perverter o Eu-em-construção com valores impostos.
A educação então seria um aborto da identidade
ou um meio de fazer aflorar no individuo seu real EU?
Democracia não é poder escolher em quem votar,
mas sim escolher SE DESEJA votar.
A vontade da maioria nada quer dizer,
o que importa verdadeiramente é o bom senso e a justiça,
que na maioria das vezes são defendidos por poucos
ou até por um só.
A história da humanidade já provou
que a maioria sempre está errada.

Teoria do Organismo Coletivo:

A natureza olha para o ser humano como o ser humano olha para uma floresta.

O ser humano não vê a árvore como um ser individual ele olha para todas...

para ele é uma selva.

A natureza olha para o ser humano como pertencente a humanidade.

O ser humano enquanto ser não tem importância para a natureza.

A humanidade para a natureza porém é um imenso ser único.

O sentido da vida humana então para a natureza é ser coletivo e perpetuar-se.

Mas o ser humano tem sua individualidade, o que é contraditório se ele para a natureza é apenas uma peça na engrenagem da perpetuação.

Então se a individualidade não tem sentido para a natureza e cada ser humano tem a sua, o sentido da existência individual é nulo, ou seja a vida não tem sentido além do biológico.

A) A morte como regeneração perpetuadora do Organismo Coletivo:

A natureza então seria a organizadora presente desse organismo e o indivíduo o objeto de ação dessa organização.

A morte do ser humano é uma necessidade, pois ele precisa ser retirado do sistema para manter a homeostase do organismo. A morte entãoseria programada pela natureza. O número de mortes seria então inversamente proporcinal ao número de nascimentos. Pois para que o organismo permaneça vivo faz-se necessário , evidentemente, que haja nascimentos, e para que os nascimentos não prejudiquem o organismo com o excesso de individuos é necessario consequentemente que haja a morte. Nascer e morrer tem a mesma importância para a natureza. Quando a população humana começa a se multiplicar de forma desordenada a natureza cria mecanismos para que ocorram eliminações individuais e coletivas, não só catástrofes naturais, como tsunames, furacões, terremotos, erupções vulcânicas, etc mas acidentes onde o maior número de pessoas são eliminadas.

A natureza também se utiliza de doênças e da própria velhice para substituir programadamente as suas células (indivíduos).

Se o ser humano é um produto da natureza, ele seria um objeto dela, comandado por ela. Vive porque exerce uma função e morrerá quando deixar de exercê-la. Mesmo se o ser humano suprimir sua própria existência a natureza agirá no ato. Chamo de Universalidade Regenerativa (UR) os meios utilizados pela natureza para a extinção individual ou coletiva do ser. (acima citados)

Quando me refiro a “meios utilizados”, me refiro a todos os tipos conhecidos de eventos que causem a eliminação de qualquer forma de vida.

Essas mortes são benéficas e necessárias ao funcionamento e a sobrevivência do organismo. Como as folhas que caem das árvores no outono, para que novas folhas ali nasçam.

Na condição de “células” de um grande organismo que obrigatoriamente precisa se renovar, somos vítimas do que chamo de Antropo-Necrose-Individual (ANI) que é caracterizada pela eliminação do individuo (mesmo de grupos) no intuito de possibilitar o “encaixe” de outro individuo no sistema, perpetuando assim o organismo através dessa substituição.

A diferença da UR para a ANI, seria conceitual, onde a UR seriam os meios, e a ANI seria o fim.

A morte então seria uma necrose do organismo imposta pela natureza ao objeto necrosado (ser-atuante, resultado do projeto, ser formado, indivíduo) para que ele desapareça e em seu lugar surja um outro objeto ( ser-idéia, projeto, ser em formação, pré-indivíduo) novo e assim o sistema seja perpetuado.

O sentido da existência portanto, seria individual , ou seja, é o que cada um dá a sua própria vida, pois sendo cada um apenas uma peça em um sistema, não ha naturalmente um sentido em existir sem fazer parte do todo.

Isso não nos daria por si só a certeza de algum sentido específico ou “oficial” do ponto de vista religioso, mas, pergunto, porque o sentido para a vida teria que ser obrigatoriamente religioso, ou espiritual? E se o sentido da vida for puramente biológico onde a natureza quase de forma anímica controle tudo ao seu estilo?

B)A vida como renovação eternizadora do Organismo Coletivo:

O amor é a espiritualização do estímulo reprodutor. É a romantização do impulso sexual. A natureza utiliza esse artifício como uma forma de fazer o ser humano crer que não ha manifestação de egoísmo em amar. É um pseudo-altruismo.

Busca incutir naqueles que se reproduzem a idéia de que perpetuar-se é um ato livre de qualquer egoísmo e derivado de sua própria vontade.

Ora, a pergunta é, porque perpetuar-se? Porque propagar os próprios gens?

Ato de amor? Ato de altruísmo?

Como podemos chamar a reprodução de um ato de amor ou de altruísmo se o objeto da reprodução (filho) não participou dessa decisão?

É uma resolução importante para ser tomada a revelia da parte principal e mais interessada.

Como podemos chamar a reprodução de um ato de amor, se os valores morais dos pais são impostos de forma ditatorial, exigindo-se que o ser gerado triunfe onde eles fracassaram?

A descarga hormonal da qual o cérebro é vitima naqueles que se dizem apaixonados cega-os para a possibilidade de qualquer decisão onde a racionalidade se torna obrigatória. Essa descarga dificulta a função da serotonina em estabelecer a comunicação entre os neurônios, dificultando portanto o raciocinio lógico. É o popular “pensar com o coração”.

Eis aí o egocêntrico ardil da natureza em prol de sua perpetuação.

Fazer crer que a existência tem algum sentido é o reconhecido artificio da natureza para que haja a reprodução.


O homem é contraditório em sua essência,
pois quando reproduz impõe seus valores
áquele que não pediu para nascer,
como se quisesse clonar-se em caráter,
ao passo que exige que esse ser vença onde ele fracassou.
Como um ser que pensa da mesma maneira poderá agir de forma diferente?
O inverso dos inversos:
Estar vivo, mas morto e estar morto, porém vivo.

Um ser infeliz que vegeta encostado eternamente a sua indiferênça para com o mundo, mergulhado no desânimo, este respira, se alimenta, fala, mas esta morto, ao passo que o ser já morto, porém lembrado pelos seus pensamentos e atos, este eternizou-se.
Felicidade? Eu não a persigo.
Eu busco a satisfação.
Felicidade é a idéia fantasiosa de um futuro prometido.
Uma utopia de prazer ininterrupto. Isso não é possivel.
Prefiro buscar coisas mais palpáveis e humanas.
Correndo o risco de parecer hedonista,
curvo-me sobre a mesa e olho o copo
que me espera boquiaberto
com um imensurável sorriso de satisfação.
Os acontecimentos bons e agradáveis,
só são bons porque existem os maus.
Se tudo fosse bom, o que é bom não teria valor.
Eu existo para mostrar o valor do bom através do mau