TORNA-TE QUEM TU ÉS!



Citando Sartre, o ser humano sendo senhor do seu destino, teria uma grande responsabilidade, pois estaria sujeito ao fracasso pela fatalidade de suas próprias decisões equivocadas. Percebendo isso, ele criou em seu cérebro complexo uma figura que lhe tiraria tal culpa de ser o artífice de sua própria derrota: deus. Assim, ele pode dizer: “|Ahhh eu fracassei porque meu sucesso não foi a vontade de deus”. O existencialismo vai por esse caminho. Afirma que o homem está condenado a ser livre, e por ser livre ele não suporta essa carga, então por má-fé, cria a figura do pai celestial (que substitui seu pai natural) para servir como um amortecedor das culpas pelos seus fracassos.
O homem não nasce predisposto a ações, ele vai se construindo ao longo da vida. Sua existência antecederia sua essência. Pois a partir dela (a existência) é que ele construiria seu modo de ser (essência). Só os objetos inanimados teriam uma essência, como por exemplo, uma mesa, que é pensada antes de ser construída. Ela já teria uma finalidade previa. Não o ser humano.
Apesar de parecer meio contraditório, eu encaixaria as influências do meio, da educação e o genético, como determinante das escolhas humanas. O existencialismo prega o livre arbítrio, o determinismo não. Como então fazer essa junção? O ser humano é livre para decidir (como Sartre pregava) ou tem suas decisões já previamente “amarradas” por influencia do meio, genética e educacional? Onde ficaria o meio termo?



Crer no determinismo significa acreditar que seriamos quase robôs, que nosso comportamento e reações já estariam definidos antes mesmo de pensarmos neles. Ao passo que crer no livre arbítrio seria ter a certeza de que nossas decisões seriam única e exclusivamente nossas, porem isso acarretaria (como já falei) algumas contradições. Eu posso escolher matar alguém, mas e se a pessoa não quiser morrer (obviamente) ela não poderá decidir quanto a isso.
Partindo do pressuposto da existência de um deus, ele já sabia que eu iria matar a tal pessoal, ele não interferiu, mas sabia, então foi cúmplice por omissão. Se ele já sabia por que não fez nada? Porque teria deixado a decisão em minhas mãos. Ok, mas ele (repito) já sabia a decisão que eu tomaria não? Sim, claro, sendo um deus claro que saberia.
O livre arbítrio só seria então real se ele não soubesse, mas se ele não soubesse não seria deus. Logo, se a minha decisao já era conhecida, então havia uma predeterminação para meu ato, o que transformaria o livre arbítrio num determinismo.
Portanto, o livre arbítrio sartreano teria lógica por ser ateu e por entregar as decisões do ser humano a ele mesmo, ao passo que o livre arbítrio teísta seria contraditório, por aceitar ao mesmo tempo a existência de um livre arbítrio e de um ser onisciente.

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