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As contradições do deísmo.

O deísmo defende que uma inteligência superior sem forma, sem sexo, sem religião, que não fala em pecado, nem castigo, nem revelação, nem inferno e que se expressaria através das leis da natureza, teria criado todo o universo. Deixando-o sujeito as leis dessa natureza, ou seja, não seria preciso nenhum tipo de intervencionismo, pois tudo estaria sujeito a leis chamadas "leis naturais".

Crer numa "mente" superior, mesmo desvinculando essa crença de dogmas religiosos primitivos, não seria por si só mais um dogma?

Seria o deísmo uma forma de pseudo-racionalização, por crer sem provas na existência de uma mente superior criadora de tudo?

A natureza existe, ok, ela engloba o que nos cerca, o oxigênio, o céu, as estrelas, as árvores, animais etc, etc, mas isso seria prova inquestionável da existência de uma mente superior?

Isso não seria defender a pseudo-ciência chamada design inteligente? Pois as árvores teriam sua função, como os animais, o oxigênio, os organismos complexos, a química dos alimentos, etc.

O deísmo não seria então fideísta, por utilizar a existência da natureza para justificar a presença de um deus que nunca se viu? Não ver e crer é crer sem evidência, logo é crer pela fé.
Como crer pela fé e classificar a crença como racional?

Uma finalidade para o universo seria teleologia (Aristóteles usa o termo Causa final), portanto dogmática.

Crer num criador e ser contra dogmas não é contraditório?
Dizer que um deus seria a causa do mundo não é defender um sofisma chamado Argumento Cosmológico?
O deísta defendendo ferrenhamente sua “fé” como racional, não estaria se igualando aos dogmáticos que acham que o que está na bíblia é real e comprovado por ser registro “histórico”?
Substituindo o argumento do “registro histórico” pela tese da “existência da natureza como fator comprobatório da existência de uma inteligência superior criadora” não estaríamos dizendo que se a natureza existe então é porque deus deve existir? Isso corresponderia a dizer que se o pato Donald não existe então deus não deve existir. O que nos remeteria a seguinte questão: Não poder provar que algo não existe, não implica obrigatoriamente que deva existir. E não poderíamos inverter esse argumento, pois o ônus da prova pertence a quem faz a afirmação positiva.
Portanto, afirmar que a prova incontestável da existência de um deus é o fato da natureza existir e ser organizada é dizer que se existe “o relógio, deve existir um relojoeiro” esse é um argumento dogmático, pois não há provas. Além disso seria defender o sofisma da Complexidade Irredutível.

3 comentários:

Anônimo disse...

Deístas consideram a possibilidade de um criador para as propriedades básicas do universo inerente ou não ao próprio universo. Não afirma a existência. Como você definiria "mente"? Imagino que a resposta envolveria matéria, energia e complexidade. Então o que diferenciaria essa máquina biológica do resto do universo? críticas a religião eu até entendo...para as propriedades básicas do universo inerente ou não ao próprio universo. Não afirma a existência. Como você definiria "mente"? Imagino que a resposta envolveria matéria, energia e complexidade. Então o que diferenciaria essa máquina biológica do resto do universo? críticas a religião eu até entendo...

Dylan W. disse...

Quem disse que é preciso de fé para se crer em algo?
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É preciso ter fé para se crer em algo cuja existência não foi provada. Quando não se tem evidência de algo, crer é uma questão dogmática, portanto de pura fé, mais nada.
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Como a definição do deísmo pode ser um dogma?
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Isso já foi explicado. O deísmo tenta explicar o improvável através do existente. Dizer que as árvores existem, ou que o céu existe ou que as montanhas existem, ou que as manifestações da natureza são obras de uma mente cósmica, sem provas, é um dogma, é crer pela fé. Se essa mente cósmica é tão perfeita assim, porque não criou o ser humano já pronto? Por que precisou de milhões de anos de ajustamentos?
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Deístas consideram a possibilidade de um criador para as propriedades básicas do universo inerente ou não ao próprio universo. Não afirma a existência.
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deísmo (dicionário Priberam da língua portuguesa)
s. m.
Sistema dos que crêem. em Deus e na religião natural, mas rejeitam a revelação.

Religião natural é Teologia embasada na razão e na experiência, e busca explicar os deuses de forma racional, como parte do mundo material. Diferencia-se da Teologia da Revelação, que é embasada na bíblia e em experiências religiosas de vários tipos. Não é isso que o deísmo diz?
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Como você definiria "mente"?
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Mente é a condição da consciência ou inconsciência que torna possível a manifestação da natureza humana. Descreve as funções elevadas do cérebro humano relacionadas a racionalidade.
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Então o que diferenciaria essa máquina biológica do resto do universo?
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A mente humana é produto de milhões de anos de evolução, adquirimos a racionalidade gradativamente é descobrimos que o fogo não é uma divindade, assim como o sol e a lua. Atribuir poderes ou espíritos a natureza e próprio dos animistas. Que a natureza deva ser respeitada, isso é obvio, mas não por motivos religiosos. A mente se desenvolveu naturalmente, sem a ajuda de deuses, portanto podemos classificá-la não como algo a parte. Não somos seres especiais somos só diferentes do ponto de vista da racionalidade.

Dylan W. disse...

Ah, sim, pra dizer que não respondi.

Em que nos diferenciamos do universo?

A natureza criou tanto o universo quanto a nós, não somos produtos do sopro de uma divindade, nem de uma ação mística (por mais que demorada seja, por estar atrelada a leis) na natureza. Afirmar que somos criados por algo superior é nos tornar seres especiais e escolhidos. Somos produtos da natureza, assim como o universo.