TORNA-TE QUEM TU ÉS!

É o que eu chamo de “Processo duplo”.
Quando estou escrevendo poemas e um surge por dentro do outro, sem avisar, sem anunciar previamente. E tenho que escrever os dois em separado, ao mesmo tempo.
Não que eu tenha começado a escrever sobre dois temas propositalmente. Não.
Mas um “se mete” por dentro das frases do outro, como um rato furioso por baixo das cobertas de uma cama desforrada, e me vejo forçado a escrever sobre assuntos similares, mas de forma oposta, utilizando frases diferentes e sentimentos conflitantes.
Por muitas vezes falo a mesma coisa mas de forma díspar, ou discorro acerca de assuntos até certo ponto opostos.
O processo criativo é o da desilusão a cada letra, é o da decepção a cada frase, mas buscado exaustivamente a forma para que a idéia tenha sentido, até chegar o sono imposto, o arder de olhos provocado pela dor de um exorcismo de sentimentos que exerce controle sobre o mais profundo pensamento. Escrever é um inferno e meus dez dedos no teclado não dão conta da velocidade das palavras que surgem vomitadas pelo passado.

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